quarta-feira, 21 de Fevereiro de 2007

O signo icónico e o Grupo μ

O Grupo μ define signo icónico como uma entidade mediadora com uma dupla função de referência. Referência, por um lado, à relação entre signo e referente e, por outro, à relação entre o signo e o seu produtor. Isto significa, por outras palavras, que o signo icónico apresenta não apenas características homólogas às do seu referente, como regista igualmente características que lhe são imputadas pelo produtor do signo. Para estes autores uma definição de signo icónico deverá, antes de mais, confirmar a sua condição de entidade distinta do objecto, isto é, a sua alteridade e, em segundo lugar, revelar a sua estrutura e modo de funcionamento. Assim, distinguem no signo icónico três elementos estruturais: o significante, o tipo e o referente estabelecendo-se entre eles determinadas relações. Deste modo, tal como em Pierce, reconhecem no signo uma estrutura triádica, contudo a sua definição questiona alguns aspectos da abordagem de Pierce.

Se em Pierce a iconicidade de um signo provém de uma relação de semelhança com o objecto, para o Grupo μ este fundamento, por si só, é insuficiente dado que aquilo que o suporta é uma concepção empírica do objecto como coisa real que se impõe à nossa percepção independentemente, da nossa razão. Estes autores defendem que o referente/objecto é algo que é sempre culturalizado e portanto não existe em si como se pode inferir pelas teses de Pierce. Uma definição de signo icónico deverá obrigatoriamente ter em conta este facto


Estrutura e funcionamento do signo icónico














Para os autores do Grupo μ o signo icónico apresenta uma estrutura em que entre cada par dos seus três elementos constitutivos se estabelece um conjunto de relações bilaterais

Significante
É um conjunto modelizado de estímulos visuais. É uma ocorrência singular do tipo. Os traços do significante permitem associá-lo ao tipo. Como ocorrência singular possui certas características físicas e espaciais. Mantém com o referente um conjunto de relações, as relações de transformação. Estas ocorrem sempre que se percepciona ou se emite um signo.

Tipo
É uma categoria, uma representação mental cujas características são conceptuais, trata-se pois de uma abstracção. É um modelo interiorizado e estabilizado que garante a equivalência entre duas singularidades: a do referente e a do significante.

Referente
É um objecto singular pertencente a uma classe de objectos. É, tal como o significante e ao contrário do tipo, um elemento com características físicas e espaciais. Esta característica comum entre referente e significante é designada pelos autores como comensurabilidade. A propriedade de ambos serem mensuráveis possibilita que se produzam entre eles determinado tipo de relações, as relações de transformação, que podem ser relações geométricas, analíticas e ópticas, as quais fundamentam um determinado grau de conformidade mútua.

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